Os melhores líderes que conheço, dão jeito!
São olhados com admiração. Dão pistas para a resolução de problemas. Fazem com que todos se sintam mais autónomos (mas interdependentes, ligados, numa cultura de colaboração), mais inteligentes e capazes.
O seu sucesso decorre da segurança que as pessoas sentem em si, nos colegas, nele e no sistema. Estão lá quando são precisos. Raramente são necessários. Muitas vezes, cada vez mais, os tipos, são tipas … espetacularmente decididas e amparadoras.
Um excelente sistema de liderança gera orientação e amparo. Existe para enquadrar positivamente as pessoas. É feito por pessoas, para pessoas, que criam valor acrescentado para pessoas, num sistema inteligente de Excelência.
A Excelência é um percurso, uma jornada, uma cultura. Não é um estado. É atingida por pessoas em excelentes ambientes (positivos) de liderança.
Os tempos que vivemos exigem da/do líder (pessoa em condição de liderança) a humildade para se apagar quando o sistema funciona, e a coragem para se expor quando o sistema falha. E exigem um sistema, uma arquitetura, que permita ser “violado”, por essas pessoas em condição de liderança, perante situações-limite, … mas que tenha resiliência para voltar ao seu lugar sem colapsar, quando a rotina se torna o modo mais natural para «resolver» os desafios.
Esta mania de que a/o líder é um super-herói que nasceu com caraterísticas especiais é de uma enormidade atroz. Esse ser-humano faz-se, nasce e morre no contexto. Seja mais formal ou mais informal. Seja mais efémero ou mais perene. Desenvolve-se e ajusta-se quase todos os dias.
Os sistemas humanos, onde as lideranças se expressam, são compostos por pessoas, objetivos, relações e ações (tarefas). São orgânicos e dinâmicos, imperfeitos. São ambientes onde as pessoas se movem. São como um rio que corre entre duas margens. Uma, as pessoas. Outra, o sistema estruturado. O rio, a água e tudo o que passa levado por aquele caudal de energia, por vezes, imensa, que transborda, por vezes, seca, muda de forma todos os dias. Todas as gotas de água e peixinhos que lá se encontram estão em movimento. São únicos, interdependentes.
É essa interdependência energética que define o resultado.
Nesse caudal, nessas margens e ambiente, o que define um líder (pessoa em situação ou condição de liderança) é a afetividade e a necessidade que temos com ele, ou dele, enquanto ser que nos ajuda a «viajar» em direção a um objetivo. Ele/ela que, naquele momento especial, dá jeito!
O/A Líder é mais um/a, que, naquela altura, «dá jeito», «dá um jeito» para resolver um desconforto ou desafio!
O sistema de liderança cria o ambiente (o contexto, a situação de liderança). E tudo isto é imperfeito. Precisa de ajustamentos diversos.
Recordo: vivemos em ecossistemas humanos.
Se a/o líder é “mais um/a” que “dá jeito”, num ecossistema imperfeito e dinâmico, então a gestão de quatro fatores define a qualidade da liderança vivida, num ato de orquestração contextual:
- A Direçãonegociada entre a situação, o sistema e a visão da pessoa que, naquele momento, tem a clarividência necessária para decidir o melhor caminho.
- O Focoemergente da clareza que o sistema (processos) e o líder (comunicação afetiva) proporcionam em conjunto.
- A Motivação, consequênciade o grupo sentir que as pessoas que lideram naquela altura compreendem «as dores e os desejos da malta».
- A Energia, que não é gasta em ansiedade ou em defesas do ego, é preservadaporque o sistema segura a previsibilidade e o líder segura a incerteza.
De facto, a liderança vive-se em ecossistemas humanos.
Num ecossistema, nada cresce sozinho, nada é eterno, e tudo se ajusta por retroalimentação. A maior competência de uma “pessoa em condição de liderança” não é, portanto, ter todas as respostas, mas sim ter a humildade para detetar quando a resposta está no sistema e a coragem para a trazer para fora dele quando o sistema está momentaneamente cego. A maior competência de um sistema é a de criar um ambiente positivo, e colaborativo, onde isto acontece naturalmente.
Tenham uma ótima viagem!