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Formar para cuidar melhor: o desafio das organizações sociais no século XXI

As associações sociais, IPSS e restantes organizações da Economia Social ocupam um lugar absolutamente essencial nas nossas comunidades. São elas que, muitas vezes, chegam onde outros sistemas não chegam. Acompanham idosos, apoiam famílias, promovem inclusão, desenvolvem respostas para a infância, para a deficiência, para a saúde mental e para tantas outras necessidades que marcam a vida das pessoas.

Mas o contexto em que estas organizações atuam mudou profundamente.

As exigências aumentaram. As necessidades tornaram-se mais complexas. As equipas são chamadas a responder a desafios cada vez mais diversificados. Os dirigentes precisam de tomar decisões num ambiente de permanente transformação. E os recursos, como sempre, continuam a exigir uma gestão rigorosa e responsável.

Neste cenário, uma questão torna-se inevitável: estarão as organizações sociais a investir o suficiente no desenvolvimento das pessoas que concretizam diariamente a sua missão?

 A resposta não é simples. Mas aquilo que observamos em muitas organizações permite concluir que a formação deixou de ser apenas uma obrigação legal ou um requisito administrativo. Hoje, a formação é uma ferramenta estratégica para a sustentabilidade, a qualidade das respostas e a capacidade de adaptação das instituições.

O conhecimento já não chega  

Durante muitos anos, a formação esteve associada à transmissão de conhecimentos técnicos. Naturalmente, continua a ser importante que profissionais e equipas dominem procedimentos, enquadramentos legais, metodologias de intervenção e boas práticas específicas das suas áreas.

Contudo, a realidade atual exige muito mais.

As organizações sociais trabalham com pessoas. E quando trabalhamos com pessoas, as competências técnicas são apenas uma parte da equação. A comunicação, a capacidade de colaborar, a gestão de conflitos, a liderança, a inteligência afetiva e a adaptação à mudança assumem um peso crescente no sucesso das organizações.

É frequente encontrarmos equipas altamente competentes do ponto de vista técnico, mas que enfrentam dificuldades na articulação interna, na gestão de expectativas ou na construção de respostas verdadeiramente integradas.

Por isso, formar não pode significar apenas transmitir conteúdos. Formar deve significar criar condições para que pessoas e equipas pensem, reflitam, experimentem e desenvolvam novas formas de trabalhar em conjunto.

Porque o verdadeiro desafio não é saber mais. É conseguir fazer melhor.   Cuidar de quem cuida  

Existe uma expressão que surge cada vez mais associada ao setor social: cuidar de quem cuida. E faz sentido. As equipas das organizações sociais convivem diariamente com situações emocionalmente exigentes. Lidam com sofrimento, vulnerabilidade, urgência e responsabilidade. Muitas vezes, fazem-no com enorme dedicação e sentido de missão.

 Mas a dedicação não elimina o desgaste. Quando o ritmo é intenso e os desafios se acumulam, surgem sinais que não devem ser ignorados: desmotivação, exaustão, dificuldades de comunicação, aumento de conflitos internos ou perda de sentido relativamente ao trabalho realizado. Investir na formação das equipas é também uma forma de prevenção.

É criar espaços para reflexão, aprendizagem e desenvolvimento pessoal e profissional. É reforçar a confiança. É melhorar a comunicação. É promover ambientes de trabalho mais positivos e colaborativos.

As organizações que cuidam das suas pessoas tornam-se mais estáveis, mais resilientes e mais preparadas para enfrentar os desafios do futuro. E isso reflete-se inevitavelmente na qualidade das respostas prestadas aos seus utentes, beneficiários e comunidades.   A importância da colaboração e das redes  

Nenhuma organização social consegue, sozinha, responder à complexidade dos problemas atuais. Os desafios relacionados com envelhecimento, exclusão social, pobreza, saúde mental ou desenvolvimento comunitário exigem abordagens cada vez mais integradas. Exigem cooperação. Exigem redes. Exigem capacidade para construir soluções em conjunto.

Por essa razão, muitas entidades do setor têm vindo a reconhecer a importância de desenvolver competências associadas ao trabalho colaborativo.

Saber criar parcerias. Saber mobilizar recursos. Saber construir confiança entre diferentes organizações. Saber trabalhar em rede.

Estas competências não surgem espontaneamente. Desenvolvem-se. Aprendem-se. Treinam-se.

A formação pode desempenhar aqui um papel decisivo, criando oportunidades para que dirigentes, técnicos e equipas desenvolvam novas formas de relacionamento e cooperação. Porque as organizações mais fortes não são necessariamente as maiores. São, muitas vezes, aquelas que conseguem ligar pessoas, conhecimentos e recursos em torno de um propósito comum.  

Formar para transformar

Talvez o maior desafio da formação nas organizações sociais seja precisamente este: deixar de ser vista como um momento isolado e passar a ser encarada como um processo contínuo de desenvolvimento.

Quando a formação está ligada aos desafios reais da organização, quando promove participação, quando gera reflexão e quando produz aplicação prática, os resultados tornam-se visíveis.

As equipas comunicam melhor.

As lideranças tornam-se mais conscientes.

Os conflitos diminuem.

A colaboração aumenta.

E a organização ganha capacidade para responder aos desafios de um contexto em permanente mudança.

Na A.Cidrais acreditamos que a formação deve gerar transformação. Não apenas ao nível do conhecimento, mas também ao nível das relações, das atitudes e da cultura organizacional.

Porque o futuro das associações sociais, IPSS e restantes organizações da Economia Social será construído por pessoas.

Pessoas que aprendem.

Pessoas que colaboram.

Pessoas que cuidam.

E organizações que investem nessas pessoas estarão sempre mais preparadas para cumprir a sua missão e criar impacto positivo nas comunidades que servem.

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